O Sucessor do Pandora chega por 22.800€ (pré) + 15.800€ (PSU), modularidade inédita e uma nova linguagem visual. Mais do que um lançamento — é o início de um novo ciclo para a Gryphon.

A Gryphon Audio Designs lançou hoje o Helios, o pré-amplificador que vem ocupar o lugar deixado pelo Pandora — mas não da forma que seria de esperar.
Não estamos perante uma simples atualização geracional. O Helios representa algo mais estrutural: um reposicionamento estratégico da marca dinamarquesa num segmento de mercado que, até agora, tinha um vazio.
Entre o Pandora, que o Helios vem substituir, e o mítico Commander (topo absoluto de gama), chega agora uma proposta que combina ambição técnica com versatilidade real. O Helios vem ocupar essa posição — e fá-lo com três movimentos calculados.
1. Democratização controlada (mas ainda assim, 38.600€ pelo conjunto completo)
O preço posiciona o Helios exatamente onde a Gryphon queria: abaixo do Commander, mas longe de ser “acessível” em termos absolutos.

22.800€ pelo pré-amplificador + 15.800€ pela PSU 5 Dual Mono coloca o sistema completo nos 38.600€ (preços europeus; nos EUA, $29.800 + $20.800 = $50.600). Para contextualizar: o Pandora custava 28.800€.
Isto é estratégia.
Num mercado onde o high-end se concentra cada vez mais nos segmentos superiores, a Gryphon está a ajustar o seu eixo para cima — mantendo a coerência de gama, mas redefinindo onde começa “o topo acessível“.
2. Modularidade como visão de futuro (não apenas como argumento de venda)
dois slots na traseira para módulos opcionais.
Podem ser instalados (à compra ou posteriormente):
- Módulo DAC3 Digital
- Módulo PS3 Phono

Num segmento onde a pureza de sinal é quase uma religião, a modularidade costuma ser vista com desconfiança. A Gryphon contorna isto ao não forçar escolhas definitivas no momento da compra.
Compras um pré puro. Mais tarde, se quiseres integrar DAC ou phono sem adicionar chassis externos, tens essa opção.
Não é muito vulgar neste segmento. E revela visão de longo prazo.
O Helios não é um objeto fechado. É uma plataforma.
Isso muda a relação do utilizador com o equipamento — de “produto final” para “sistema evolutivo“.
3. Nova linguagem visual = mudança de ciclo (e isto não é apenas cosmético)

Flemming Rasmussen, fundador da Gryphon, sempre desenhou os seus próprios equipamentos. O resultado: uma identidade visual reconhecível a metros de distância.
O Helios marca uma mudança estética significativa.
A linguagem “Nordic Noir” mantém-se (alumínio anodizado, vidro temperado de 4mm, acabamentos escuros), mas há uma evolução: linhas inspiradas numa cascata, fluidez orgânica, abandono da rigidez pura.
O detalhe mais subtil? O triângulo invertido — marca visual da Gryphon presente no Essence, Apex, Commander e Diablo 333 — só se torna visível quando o pré está empilhado sobre a PSU 5.
Não é um pormenor aleatório.
É um código interno. Um sinal para os conhecedores da marca.
Quando uma empresa como a Gryphon muda a sua linguagem de design, não está apenas a refrescar catálogo. Estárá a sinalizar uma mudança de era?
O que mudou tecnicamente (e o que se manteve)
O Helios herda a topologia dual mono do Pandora, mas refina praticamente tudo o resto:
Melhorias face ao Pandora:
- Novo design dual JFET no buffer de entrada (Class A, single-ended) — agora com apenas dois transístores e uma resistência no caminho do sinal
- Circuito de volume com 85 passos (relé + resistências MELF SMD da Vishay) — impedância reduzida a metade face ao Pandora, o que aumenta largura de banda
- Saída single-ended dedicada (RCA proprietário Gryphon) — o Pandora não tinha
- Stage de entrada single-ended desenvolvido para o Commander (herdado para o Helios)
- Transformadores toroidais custom (um por canal) em vez dos C-core duplos do Pandora — menor radiação magnética, permite empilhamento direto sobre a PSU 5
O que se mantém (por princípio):
- Zero feedback negativo global
- Condensadores WIMA (polipropileno) para desacoplamento local
- Reguladores de voltagem lineares (Texas Instruments)
- Estrutura CNC em alumínio maquinado
- Spikes proprietários Gryphon para controlo de ressonância
Novas funcionalidades:
- Home Theater Bypass (XLR + RCA)
- Ganho ajustável individualmente por entrada
- Nomeação personalizada de entradas
- Ecrã táctil 4.3″ integrado no vidro frontal
O que isto significa, na prática

O Helios não vem substituir o Pandora numa base “igual, mas melhor”.
Vem redefinir o seu pré de referência.
Três diferenças estruturais face ao antecessor:
- Mais versátil — a modularidade abre portas que o Pandora mantinha fechadas
- Mais caro — o reposicionamento de preço é deliberado, não acidental
- Mais integrado — HT Bypass, compatibilidade A/V, nomeação de inputs… isto não é apenas para puristas isolados em sistemas estéreo. Abre a ponte a sistemas complexos, multi-fonte, onde o Helios funciona como centro de comando.
A Gryphon está a antecipar um mercado onde mesmo os audiófilos de referência não vivem só de vinil e CD. Streaming, A/V, multiroom — tudo isto tem de coexistir. E o Helios foi desenhado para isso.
Conclusão
O Gryphon Helios é um movimento estratégico.
A Gryphon Audio Designs está a reposicionar-se para um mercado high-end onde:
- A versatilidade deixou de ser inimiga da pureza
- A estética sinaliza mudança de era, não só refresh de catálogo
Não estamos perante “mais um lançamento”.
Estaremos perante o início de um novo ciclo.
E isso, no contexto de uma marca com 40 anos de história e identidade cristalizada, é muito mais relevante do que as especificações técnicas sugerem.
Gryphon Helios
Pré-amplificador dual mono, Class A, zero feedback
MSRP: 22.800€ (pré) + 15.800€ (PSU 5)
Disponibilidade: imediata (em Portugal e Espanha através da Ultimate Audio)

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