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Rei morto, Rei posto: o AVID Ingenium SE chegou

Avid Ingenium SE Turntable

Conheci o AVID Ingenium Plug & Play num showcase da marca em Portugal, com a presença de Conrad Mas, seu fundador e CEO. Entre demonstrações e entrevista concedida, o produto apresentou-se com uma clareza imediata — mas também com uma tensão que não me abandonou durante semanas. A engenharia era evidente e apontava para algo sério. Demasiado sério para o segmento em que se posicionava.

Avid INGENIUM SE

Sem o conhecer o Ingenium a fundo, um amigo em jeito de provocação, resumiu o conceito de um Plug & Play melhor do que eu conseguiria: “Estes gira-discos são o que um miúdo vai comprar a correr quando recebe o primeiro ordenado a sério.”

Não estava errado. Estava apenas incompleto quanto ao que este produto é.

O compromisso que o Plug&Play carrega — e porque faz sentido

O Ingenium Plug&Play foi concebido para oferecer reprodução genuinamente audiófila sem entrar em território de preço irrealista para a maioria. Para isso, houve limitações deliberadas no desenho global. Grande parte do desempenho vem precisamente da capacidade do gira-discos de permitir que um braço e uma célula relativamente acessíveis toquem muito acima do esperado para o seu nível de preço.

O Plug&Play nunca foi pensado como plataforma universal para experimentação infinita, mas como solução integrada e completa. A maioria dos proprietários deste tipo de gira-discos não procura upgrades, porque o conjunto foi desenhado para funcionar como um todo desde a origem — à semelhança do que acontece com um Rega Planar.

Avid INGENIUM SE

Isto muda a leitura. A provocação do meu amigo não estava errada, mas estava incompleta. O Plug&Play é deliberadamente isso: uma solução acabada, não uma base incompleta à espera de upgrades. O problema, para mim, é que a engenharia do chassis diz outra coisa — e essa tensão não há maneira de me abandonar.

O facto de o gira-discos admitir substituição de braço, dentro da geometria Rega, torna a progressão para componentes de nível superior o caminho mais natural. Combinado com o prato metálico e a fonte de alimentação externa, este percurso de upgrades aproxima-o do território do Relveo — o modelo imediatamente acima na hierarquia da AVID. Parte do que este caminho permite, é algo que pretendo verificar, e claro, documentar nos próximos meses, aqui em MoustachesToys.

De objeto de análise a componente do sistema

Esta máquina impressionou-me desde o primeiro momento, e o Ingenium acabou por entrar no meu sistema de referência. O rascunho de upgrades que eu — e presumo que outros utilizadores — já tinha começado a esboçar, nomeadamente ao nível do braço e da célula, a AVID foi mais rápida: incorporou-o directamente no produto seguinte. E é precisamente por isso que o anúncio do SE me interessa mais do que a maioria dos lançamentos que chegam à MoustachesTower. Não estou a ler esta notícia de fora. Estou a lê-la de dentro do meu interesse como utilizador.

O que muda no SE — e o que isso significa

A AVID não apresenta o Ingenium SE como uma revolução. O comunicado fala de evolução contínua, de refinamentos devidos a feedback de clientes e retalhistas. Descreve-o como um passo claro em frente, não uma substituição. É linguagem corporativa cuidadosa — mas desta vez a substância sustenta o discurso.

Avid INGENIUM SE

O ponto central é o motor. Derivado diretamente do Relveo, o novo sistema vem alojado numa carcaça maquinada de precisão montada sobre uma base de estabilidade independente. Não é um motor melhorado. É uma filosofia de controlo diferente: o objetivo declarado é a dissipação da vibração antes de ela chegar ao chassis, não depois. A fonte de alimentação externa complementa este trabalho — transformador dedicado, eletrónica de controlo específica — com o resultado esperado de maior consistência rotacional e menor noise floor.

O braço é, para mim, a alteração mais interessante. O novo AVID TA-3 promete rigidez estrutural acrescida, ajuste de anti-skate, cablagem melhorada e a anunciada maior amplitude de compatibilidade com células de diferentes massas e compliance. Isto não é um detalhe de catálogo. É precisamente parte do que senti faltar no meu Ingenium: um sistema de leitura que finalmente acompanhasse o potencial do chassis que o suporta. O Ingenium Plug&Play sempre teve mais estrutura do que interface de leitura. O SE fecha essa distância.

Avid INGENIUM SE

A estrutura de upgrades mantém-se e reforça-se. O prato metálico em alumínio maquinado com 5,5kg — que na minha experiência com o modelo anterior representou uma mudança estrutural na densidade tímbrica, estabilidade rítmica e autoridade dinâmica — continua disponível como opção. A fonte DSP opcional, derivada igualmente do Relveo, acrescenta controlo de velocidade mais fino e habilita configuração twin-belt, elevando o SE para um registo de desempenho claramente superior. A AVID descreve essa transformação como profunda. Não tenho razão para duvidar.

A gama AVID e onde o SE se encaixa

Olhando para o catálogo atual da AVID, a hierarquia está agora mais legível do que nunca. No topo da gama Master Series, o Acutus Dark Iron e o Relveo — posicionado como o patamar aspiracional do catálogo. Acima, a Flagship Series com as variantes Acutus Classic, Reference e Reference Mono, onde a engenharia de suspensão e bearing atinge o nível de referência absoluta da marca. Na base da Master Series, o Ingenium SE como ponto de entrada no universo AVID, e agora também na reprodução muito séria de vinil.

Avid INGENIUM SE

O Plug&Play era a porta de entrada de uma casa em que senti o vão da porta aparentar ser demasiado estreito para o que havia lá dentro. O SE alarga esse vão. A engenharia de base — bearing, clamp, chassis — mantém-se intacta; o que muda é a maior capacidade do sistema de leitura e da alimentação de a honrar.

Há também uma consequência implícita neste reposicionamento: o SE vai ser comparado mais diretamente com o Relveo do que o Plug&Play alguma vez foi.

O caminho que vem a seguir

Há uma dimensão pessoal neste anúncio que não consigo ignorar. O Ingenium está no meu sistema de referência. O percurso que tracei, mesmo antes de saber desta notícia — e que vou documentar nos próximos artigos — passa precisamente por este território: por aumentar a capacidade do sistema de leitura. Não como exercício de upgrade compulsivo, mas como investigação sobre o que esta plataforma promete conseguir revelar quando as suas limitações originais são progressivamente removidas.

Avid INGENIUM SE

O Plug&Play não desaparece. Conclui o seu ciclo enquanto conceito. Cumpriu o que foi desenhado para cumprir: abrir acesso, simplificar entrada, demonstrar que engenharia séria não exige preços inalcançáveis. A provocação do meu amigo era justa — e o produto estava à altura dela.

O SE entra agora num contexto mais exigente. Mais caro, mais escrutinado, mais exposto.

Rei morto. Rei posto.

AVID Ingenium SE — Preços e configurações

Disponível a partir de junho de 2026 através de distribuidores autorizados:

Opção 1 — £2.595 / €3.595 / $3.995 — Gira-discos + PSU Standard + Prato MDF

Opção 2 — £2.995 / €3.995 / $4.995 — Gira-discos + PSU Standard + Prato Metálico

Opção 3 — £4.295 / €5.995 / $6.995 — Gira-discos + PSU Upgrade + Prato Metálico

Upgrades separados:

Prato Metálico — £500 / €600 / $700

Upgrade Fonte de Alimentação — £1.500 / €2.000 / $2.500

Mais informação: avidhifi.com/ingenium-se-turntable


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