A série 800 da Bowers & Wilkins existe desde 1979. O tweeter de diamante chegou em 2005. A série D5, apresentada em Viena no início de junho, é a quinta geração desta linhagem — e chega nos 60 anos da marca fundada em 1966 por John Bowers numa loja de rádio em Worthing, Sussex.

A série 800 é um produto sério. Ouvi as 801 D4 Signature numa demonstração com amplificação Accuphase de topo e fonte analógica Clearaudio/Ikeda — e o que aconteceu naquela sala não deixa dúvidas sobre o nível destas colunas. A série 800 ganha o seu estatuto todos os dias, não apenas nas folhas de especificações. A Nautilus continua a ser uma das obras de engenharia acústica mais singulares alguma vez concebidas. Os Abbey Road Studios usam colunas da série 800 da B&W há décadas. Estes não são argumentos de marketing. São factos verificáveis.
O comunicado de imprensa que recebi ontem para anunciar a nova série D5 celebra Worthing, celebra John Bowers, celebra a filosofia do “Som Verdadeiro.” Não menciona a Harman. Não menciona a Samsung. E não tinha de o fazer.
Mas a linha temporal é curta e densa. Em 2020, a Sound United adquire a B&W. Em 2022, a Sound United é adquirida pela Masimo — uma empresa conhecida principalmente por dispositivos de monitorização médica — por cerca de mil milhões de dólares. Em maio de 2025, a Harman, detida integralmente pela Samsung, anuncia a compra da Sound United à Masimo por 350 milhões de dólares. Três anos. 650 milhões perdidos.

A B&W não é o pior exemplo do que a gestão corporativa pode fazer a uma marca icónica. É talvez um dos exemplos mais benignos neste momento. Mas está no mesmo grupo que a Marantz — uma marca com uma identidade sonora historicamente muito definida, hoje questionada por alguns dos seus devotos de longa data. E está no mesmo grupo que a AKG: quando a Harman encerrou a sede de Viena em 2017, a equipa de engenharia que saiu foi fundar a Austrian Audio. A marca continua a existir. A engenharia que a definia foi para outro sítio.
A Harman declarou a intenção de preservar as identidades das marcas adquiridas. Autonomia operacional, equipas mantidas, ADN respeitado. É exactamente o que se diz sempre. O historial do sector com este tipo de declarações é, para dizer com delicadeza, irregular.

Por agora, a série 800 resiste. A D5 foi desenvolvida em Worthing pela mesma equipa. O Southwater Research Establishment continua o seu trabalho. O que chega em setembro será provavelmente excelente. O problema não é a D5. É o que acontece quando a pressão de integração de portfólio, inevitável em qualquer estrutura corporativa desta dimensão, começa a tomar decisões que uma marca independente nunca tomaria.
Sessenta anos de Bowers & Wilkins. O que vem a seguir?
A D5 chega em setembro. Ouçamos então.


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