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Cambridge Audio Edge A, integrado ambicioso

A oferta no mercado de amplificadores integrados acima dos cinco mil euros é imensa. Temos modelos de marcas firmadas, temos modelos de construtores garagistas, temos um Universo de modelos. Agora temos também o ambicioso Edge A, com o construtor sediado em Londres a voltar a uma gama de preços onde já foi concorrente de peso. Terá a ambição sido cumprida? O melhor será ler até ao fim.

O integrado ambicioso

Já tive oportunidade de me referir em que contexto foi lançada a gama Edge da Cambridge Audio, na mini review ao streamer/pré/DAC Edge NQ + monoblocos Edge M, em David vs Golias, com uma surpresa no final.

Tive então a oportunidade de apreciar as capacidades sónicas do conjunto NQ + monoblocos M, na altura casados com par de colunas ProAC K6, em sessão de audição de duas horas numa das salas da Imacústica no Porto.

Cambridge audio Edge A

Surgiu então a oportunidade de sabermos como se portaria o integrado da mesma gama, o Edge A, em teste não de duas horas como o anterior, mas de dois meses. O integrado (de classe XA conforme a Cambridge denominou) foi comparado com um amplificador integrado a válvulas EL34 push-pull, com um integrado vintage, e ainda outro, um todo em um, este de classe D. Foram utilizados dois pares de colunas monitoras, um de 90dB, e outro de 86dB de sensibilidade e diferentes personalidades, com três diferentes pares de cabos de colunas. Teste de peso portanto.

O que os olhos viram

Cambridge audio Edge A

Comecemos pelo peso que os braços e as costas sentiram.

Cambridge audio Edge A

Como qualquer produto da marca, o Edge A vem impecavelmente empacotado. Sou e fui detentor de vários pares de iem’s bluetooth da marca, e mesmo o par de ogivas Melomania 1, 1 plus (dois pares), bem como os Melomania touch, e todos vêm empacotados de forma que envergonharia muitos produtos a custar muitas vezes mais. O produto topo de gama da marca não poderia desiludir-me. Não desiludiu. O integrado vem dentro de uma caixa de cartão de qualidade acima da média, protegido por polímero que inspira confiança que a entrega em casa deste amplificador pudesse ser feita por Colin McRae. O amplificador em si vem dentro de uma requintada saca de tecido preto.

Cambridge audio Edge A

Depois de descarregar a caixa da mala do carro, já deveria adivinhar o peso bruto deste menino. Tirar os seus 24,5kg da caixa foi ainda mais penoso. O amplificador é composto por duas grossas chapas de alumínio à frente e atrás, unidas por aletas de metal para arrefecimento nas laterais. Afinal trata-se de um (espécie de) classe A. Não aquece o suficiente para temperar uma sala no inverno, mas não convém deixar um chocolate esquecido em cima do chassis.

Cambridge audio Edge A remote

Quem sai aos seus não é de Genebra, então o comando é uma peça a pesar os seus 250gr, e é algo que seguramente não nos esqueceremos na mão.

Na frente, no centro, um grande botão circular para regular o volume com uma secção anterior para escolha da fonte. À esquerda, em cima, o logo e lettering a baixo relevo “Cambridge”, e abaixo o pequeno botão de metal polido para ligar o amplificador. À direita a tomada para jack de auscultadores de quarto de polegada. Como na gama CX, os elementos Edge, não têm pés na frente, mas uma rampa recuada, que aparenta fazer o amplificador levitar. Eu cá prefiro os tradicionais pés, até porque assim não me permitiu testá-lo com mecanismos de control de ressonância.

Cambridge audio Edge A

Atrás, começando pelo centro, temos dois pares de tomadas (entradas analógicas) RCA e um par XLR. As tomadas para ligação a amplificador de potência RCA e balanceadas – pergunto-me porque precisaria um amplificador desta gama, com 100W a 8Ohms, que dobra potência na metade da impedância, de mais potência? Estas tomadas estão localizadas cada uma, RCA e XLR de cada lado pois este amplificador tem arquitetura de duplo monobloco (tem também dois transformadores toroidais). O mesmo acontece com as tomadas para os cabos de colunas. Mais acima temos as tomadas das entradas digitais: USB, HDMI arc, coaxial e dupla ótica, e ainda rosca para a pequena antena Bluetooth. Todas as tomadas nomeadas de pernas para o ar e com os pés no chão, como tem sido apanágio da marca.

A qualidade percepcionada é muita. Mesmo muita! Para o preço praticado não imagino qualquer pormenor onde a marca pudesse apresentar melhores pormenores. Contribuindo para o orgulho de compra e posse desta peça.

O que ouvi

Cambridge audio Edge A

Os meus gostos musicais são isso mesmo, meus. Por isso, sempre que explico que ouvi isto ou aquilo, daquela maneira ou de outra, em determinada faixa. O feedback que tenho recebido é: “porque não incluis nas reviews mais músicas que pessoas normais ouvem?”, “Só ouves Queen e metaladas” respondi eu. O que é que eu ouvi para esta review? Só bandas sonoras de filmes realizados por Christopher Nolan e Quentin Tarantino, e temas, também de bandas sonoras, assinados por Ennio Morricone, A.R. Rahman, Bernard Herrmann, Lalo Schifrin, Isaac Hayes, John Williams, Hans Zimmer, e os nossos Rodrigo Leão e Carlos Paredes. Não vos vou maçar com uma lista exaustiva de que trecho ouvi (geralmente ouço a música toda) e em que música, assim aguço a curiosidade de quem não conhecer, e a saudade de quem já não ouça há algum tempo.

O Cambridge Audio Edge A é um amplificador ambicioso não só na sua construção, mas também na assinatura sónica. Esta máquina é uma jogada determinada da marca para conquistar um posicionamento mais alto do que nos habituou nos últimos anos, entregando um som de enorme escala e autoridade que irá cativar muitos ouvintes.

Este amplificador dá vida à música com graça, potência e pureza, independentemente do género ou da complexidade da música. Sua fluidez geral, facilidade e doçura aprimoram a experiência auditiva, tornando a música mais arredondada, cheia e rica.

Com a sua habilidade de lidar com as oscilações dinâmicas, com ataque que baste, e capacidade de desenterrar uma tonelada de detalhes, o Edge A apresenta uma coesão musical impressionante. Em termos tonais, ele atinge um equilíbrio agradável, oferecendo uma sonoridade cheia e suave, sem comprometer a neutralidade.

O Edge A oferece um som amplo e voluptuoso, com peso, ao mesmo tempo que se mantém enxuto e limpo. Ele toca guitarra com facilidade e apresenta as vozes com finesse e nuance suficiente para o valor pedido. Sua pureza dimensional e clareza espacial, aliadas a um baixo nível de ruído, proporcionam uma experiência imersiva onde os menores detalhes brilham.

Cambridge audio Edge A

Este é um amplificador de som limpo, honesto e preciso. Ele produz um som detalhado, rápido e consistente, com uma ampla gama de frequências. O Edge A também adiciona um ligeiro toque caloroso e colorido ao som, mas sem comprometer a integridade ou vivacidade da música.

Em outras palavras, o Edge A é um amplificador de som excelente que oferece uma experiência de audição envolvente e agradável. Com alguma polidez a mais por vezes, na minha opinião pessoal, que gosto de restaurantes italianos e corridas de automóveis…

O Edge A faz maravilhas ao criar um palco sonoro expansivo, onde os instrumentos são apresentados definidos e focados. Tanto, que certa vez me arrepiei ao ligá-lo e senti Natalie Merchant atrás de mim, entre as colunas! Sua condução rítmica e impacto mantêm o controle na medida certa, garantindo uma experiência auditiva envolvente. A resolução, precisão tonal e imagem estéreo é notável.

Mesmo a saída para auscultadores de ouvido, embora não alcance o mesmo nível de expressividade das colunas, consegue proporcionar bom insight e nuances dinâmicas suficientes, mesmo com os modestos Meze 99 Classics com que o testei, com algum ênfase nos graves.

Cambridge audio Edge A vs Fezz audio Silver Luna Prestige Evolution Valve integrated amp with Triangle Borea 03, MacBook Air and some Scotch

Cambridge audio Edge A

Mesmo o Bluetooth é uma adição interessante, embora não seja, de longe, o seu ponto forte, é digno de nota, pela facilidade que qualquer pessoa que me entrasse pela casa dentro, pudesse tirar partido das suas qualidades intrínsecas, que se mantêm na sua fonte menor.

É importante mencionar também que o Edge A poderá ganhar mais com colunas ágeis e expressivas, como as Triangle Borea 03, que irão ser mais reveladoras de algumas das suas qualidades, do que com sistemas que precisam de um brilho adicional. O casamento com as Dynaudio Emit 20, por exemplo, deixou algo a desejar. O som por vezes demasiado “educado” (pelo menos para os meus ouvidos) de ambos os elementos, favoreceu uma apresentação que apesar de mais equilibrada e neutra, mas para o meu gosto, poderia por vezes ser mais “atrevida”.

Em conclusão,

o Cambridge Audio Edge A é um amplificador ambicioso que cumpre a sua promessa de se intrometer, e de cabeça erguida, no campeonato dos amplificadores acima de cinco mil euros. Com sua aparência impressionante e desempenho de alto nível, ele procura mais do que apenas agradar, e acaba por conseguir impressionar. Se estás à procura de um amplificador integrado de primeira linha que supere em compromisso a concorrência nesta classe de preço, e com aparência que lhe dá trunfos para se bater com concorrência de maior calibre (em preço), e com pulso até para colunas “atrevidas”, então não procures mais. O Edge A é uma poderosa máquina sonora, limpa, potente e extremamente agradável de se ouvir.

O exemplar usado neste teste foi gentilmente cedido pela Imacústica.

O sistema usado no teste:

 

    • Amplificador integrado > Cambridge Audio Edge A

    • Fontes > Apple TV 4K; Macbook air; Pioneer PD-Z74T

    • Interconnects > Ansuz Digitalz X2; Ansuz Signalz X2

    • Colunas monitoras > Triangle Borea 03; Dynaudio Emit 20

    • Auscultadores > Meze 99 Classics

    • Control de ressonância > Ansuz Darkz C2t

    • Cabos coluna > Ansuz Speakz X2

    • Cabos Corrente > Ansuz Mainz X2 e P2

    • Distribuidor de corrente > Ansuz Mainz 8 X-TC