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PMC Prodigy 5 – O compromisso do ano?

O compromisso do ano? Houvesse um prémio para o compromisso do ano, estaria tentado a atribuí-lo às estrelas desta análise. As PMC Prodigy 5 são as colunas de chão mais baratas da oferta desta marca, que se notabilizou primeiro pelas monitoras profissionais, e depois no mercado de consumo High-end.

Estas colunas representam um compromisso entre a sua pegada volumétrica, a forma amigável e transparente como casam musicalmente com qualquer amplificador, e a qualidade sonora que supera as expectativas pelo preço solicitado, até mesmo nas gravações pensadas para equipamentos menos sofisticados.

Combinei as Prodigy com o quê?

Quando estas PMC chegaram, estavam por cá as Alacrity audio Dundee 5, que como as Prodigy 5, são colunas de chão construídas à volta de uma arquitetura de linha de transmissão. No entanto, estes dois modelos diferem consideravelmente em vários aspectos, incluindo a sensibilidade, 81dB para as Dundee e 87dB para as Prodigy. Também na pegada volumétrica, estas Prodigy são para as Alacrity o que Allen Iverson foi para Kareem Abdul Jabar. Vale ressaltar que as Dundee custaram três vezes mais do que as Prodigy custam atualmente (€2.395). Outras colunas que andaram por cá e também foram usadas como bitolas foram as monitoras Borea 03 da Triangle e as Indiana Line Diva 252.

Para alimentar as PMC Prodigy 5, foram utilizados três integrados diferentes: o Axxess Forté 1 (review aqui), um classe D; o Serblin & Son Frankie EX (review aqui), um classe A/B também a transístores; e o AudioNote Cobra (review aqui em breve), um amplificador em classe A a válvulas, as fontes foram, no analógico o gira-discos MoFi StudioDeck (review aqui) com braço de origem, célula StudioTrack e prévio Rothwell Simplex, e no digital os streamers Denon DNP-2000NE e o Eversolo DMP A6 Master Edition (review aqui).

O que os olhos viram 

Linha PMC Prodigy

Em termos de pegada volumétrica, apenas as Diva, acompanhadas de suportes de 60 cm de altura, rivalizaram com as PMC, embora as Prodigy possam ser posicionadas próximas da parede frontal, enquanto que as Diva só tenham a ganhar com a distância às paredes. Este é o grande argumento da arquitetura de construção com linha de transmissão, além de escavar graves mais profundos do que o seu modesto tamanho faria adivinhar. Este é um fator importante em espaços pequenos ou para pessoas que não vivem sozinhos e precisam ajustar a disposição dos móveis e das colunas.

No que concerne à apreciação estética, normalmente não sou grande apreciador de colunas pretas. Neste caso a PMC conseguiu que eu mordesse a língua, com a sua combinação austera mas elegante de preto mate com círculos bronzeados em redor do tweeter e woofer. Um detalhe que gostei foi a grelha metálica de proteção dos tweeters. O meu filho mais novo tem 5 anos, e as colunas com mais de trinta anos e de grande valor sentimental que andam lá por casa já ostentam assinaturas dos seus dedinhos de quando tinha 3 anos. Apenas um pequeno reparo (já sabem que sou picuinhas): eu teria preferido um material mais requintado nos pés, onde ficam aparafusados os spikes, esses sim sem qualquer reparo possível. Não me interpretem mal, trata-se de um plástico de qualidade, e que aparenta rigidez, resistência e durabilidade, mas a partir destes valores poder-se-ia esperar algo um pouco mais refinado. Ou não? Terá a PMC gasto o dinheiro do caderno de encargos onde importa? A ver vamos.

Então a que soam as Prodigy 5?

A ouvir Jamming de Bob Marley & The Wailers, e comparativamente com as Alacrity, ambas alimentadas com o Axxess Forté 1 (integrado tudo-em-um classe D e 100W), as Prodigy serviram para confirmar o predileção deste integrado para a pujança, transparência, detalhe com toque orgânico e um enorme, gigante palco sonoro, tanto em largura como altura. E como é que sei que este amplificador tem estas características? Porque foi assim que estas colunas tocaram. Quanto à profundidade, confirma também que a distância à parede frontal não é necessariamente proporcional à profundidade do palco sonoro, pelo menos não nestas Prodigy. Em todo o resto do disco Exodus ouvi com as PMC uma boa separação dos instrumentos e um esquiço no espaço de onde se encontra cada músico. 

Como posicionei as Prodigy 5 para otimizar o palco sonoro e os graves? A distância entre as colunas foi cerca de 2,40m. Embora estivessem encostadas no máximo à parede frontal, acabaram por ter 40 a 50 cm de distância efetiva devido às prateleiras de livros e CDs encostada à parede. O toe-in ideal na minha sala? Os spikes externos estariam cerca de 4cm à frente dos internos.

PMC Prodigy 5

Ouvi também as Prodigy a diminuir de forma notável o enorme fosso da diferença de preço nas grandes qualidades das Dundee: palco, nuances, detalhe, capacidade de desmontar passagens complexas, e sobretudo na sensação de correção tímbrica. As PMC serão até ligeiramente mais expeditas, com um “kick” mais rápido. Se não soubesse dos preços em novo de cada modelo à partida, arriscaria pelo menos pelo frente-a-frente com as Alacrity, um fosso de €uros imensamente menor. A chegada das PMC à minha sala de audições aconteceu praticamente em simultâneo com a partida do Axxess e das Alacrity, e de audição crítica terei tido a oportunidade de lhes dedicar muito pouco tempo, mas foi o palco largo, alto e razoavelmente profundo que se destacou, e claro, acima de tudo, como em todos os outros cenários que as testei, na forma como escavam as baixas frequências. Tivesse Howard Carter umas Prodigy 5, e o túmulo de Tutankhamon teria sido dado mais cedo à superfície.

Então e com um amplificador classe A/B? O Serblin & Son Frankie EX é um integrado a transístores com 75W, e tem funcionado como o meu amplificador de referência pois já está por cá já faz uns bons meses. O Forté 1 e o Frankie são dois animais de personalidades muito diferentes. O Forté 1 é um Viking, mas esqueçam o capacete, cara pintada e as cenas de violência nas aldeias na Escócia de outros tempos. Este foi ensinado para comer à mesa de faca e garfo, educado com as mais finas maneiras britânicas. O Frankie veste Armani, e joga a meio-campo a distribuir jogo como Pirlo. Pelo preço pedido, muitos dos potenciais compradores das Prodigy 5 terão lá por casa um integrado da gama de preços deste Frankie, no entanto as colunas de chão britânicas não se mostraram nada intimidadas pelo amplificador dinamarquês, que custa mais do dobro.

Dirty Blvd. de Lou Reed, o timing da declamação do Nova-iorquino aqui parecia um rap, tal o compassar aguçado das suas palavras. You Ain’t Alone, de Alabama Shakes, mais uma vez a intensidade do ataque da guitarra com pedaleira sobressai, apesar de nem ser o forte deste amplificador.

Para último ficou o AudioNote Cobra, integrado com 28W a válvulas em classe A. Segundo o livro, as Prodigy nem seriam o casamento ideal para este amplificador, com a sua sensibilidade de 87,3dB. Mas na música, como na vida, os melhores casamentos nem sempre são os mais óbvios. E que casamento este!

As Prodigy escavaram surpreendentemente fundo nos graves em Romeo and Juliet, Dance of the Knights, de Prokofiev, com Lisa Batiashvili e a Chamber Orchestra of Europe, equilibrando os detalhes subtis e filigranas musicais de Batiashvili com um senso de presença e equilíbrio, usando com a mesma confiança do bisturi do cirurgião, e do martelo do serralheiro para fazer justiça a este magnífico trecho. Rápidas quando têm de ser rápidas, abertas quando assim se exige e ágeis quando têm de ser ágeis.

PMC Prodigy 5 transmission line floorstander
PMC Prodigy 5

Tocaram também Alabama Shakes, Black Keys e The Kills, bandas que insistem em permanecer nas minhas playlists, de forma que considero honesta, visceral e dinâmica, como ouvir Alabama Shakes, Black Keys e The Kills tem de ser tocado.

A rabeca de Milky teeth, dos Tindersticks, ou os berros de Black Francis em Caribou, dos Pixies, que habitualmente me “gelam” os ouvidos, mas aqui nesta combinação não, e pude apreciá-las como apreciava há trinta anos e três filhos atrás.

Limit to Your Love, de James Blake, com escala e domínio sobre os graves nada fáceis desta faixa

Em que ficamos?

Além da facilidade de posicionamento, que é muito mais que um pormenor, aqui salta para a frente dos holofotes algo que para mim é muito importante, fosse o que fosse que lhes atirasse, as Prodigy 5 tocaram sempre bem, e sempre com transparência para a personalidade do amplificador que as alimentou, e muito mais importante, para a música. Fosse clássica orquestral, delicadas vozes femininas, rocalhada ou música de dança. Mesmo o Cobra, com as suas válvulas EL34 e modestos 28W em classe A, foi capaz de excitar cada milímetro cubico da minha sala com doce e excitante música.

Houvesse um prémio para o compromisso do ano, estas PMC iriam muito bem lançadas para o arrecadar.

Equipamento presente nesta análise

  • PMC Prodigy 5, colunas de chão (linha de transmissão) disponíveis em Ajasom
  • Alacrity Audio Dundee 5, colunas de chão (linha de transmissão) disponíveis em Autumn Leaf Audio
  • Triangle Borea 03, colunas monitoras disponíveis em Ajasom
  • Indiana Line Diva 252, colunas monitoras disponíveis em Home Audio
  • Serblin & Son Frankie EX, amplificador integrado a transístores classe AB, disponível em Home Audio
  • Axxess Forté 1, amplificador integrado a transístores classe D, disponível em Autumn Leaf Audio
  • AudioNote (UK) Cobra, amplificador integrado valvulado classe A, disponível em Exaudio
  • Eversolo DMP-A6 Master Edition, streamer disponível em Esotérico
  • Denon DNP-2000 NE, streamer disponível em Smartaudio
  • cablagem e distribuidor de corrente Ansuz, disponíveis em Autumn Leaf Audio

Especificações

  • Available Finishes: Silk Black
  • Crossover Frequency:1.7kHz
  • Horizontal Directivity:80 degrees
  • Vertical Directivity:70 degrees
  • Dimensions:H 905mm 35.6” (+20mm spikes) W 165mm 6.5” (233mm incl. plinth bars) D 237mm 9.3” (+10mm optional grille)
  • Drive Units:LF PMC 5.25”/133mm natural fibre long-throw LT™
    HF PMC 27mm /1” soft dome
  • Effective ATL™ Length:1.96m 6.4ft
  • Frequency Response:35Hz – 25kHz (-3dB)
  • Impedance:6 Ohm
  • Input Connectors:One pair 4mm binding posts
  • Sensitivity:87.3dB SPL 1W 1m
  • Peak SPL:124dB SPL
  • Recommended Amp Power:20 – 250W
  • Weight:10kg 22lbs ea.
  • Options:prodigy5 grille

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