English review of the Marantz M1
Marantz M1 Streaming Integrated Amplifier | A Review MoustachesToys
O que é (e o que não é)
O Marantz M1 é um amplificador integrado com streaming tudo-em-um, pensado para quem procura uma solução compacta, minimalista e moderna sem abdicar de qualidade sonora real. Junta leitor de rede, DAC e amplificação Classe D numa única caixa — uma proposta claramente orientada para o segmento lifestyle audio, mas executada com a assinatura sonora Marantz.
Não tenta ser um sistema hi‑fi de elementos separados, nem competir com amplificadores dedicados de gama alta. O M1 existe para resolver um problema muito concreto: como ter som stereo de qualidade numa sala pertencente ao Mundo real, com pouco espaço, poucos cabos e zero complexidade.

E isso, para o bem e para o mal, define toda a experiência.
O M1 Nasceu Para:
O que o M1 pretende ser:
Uma solução integrada para salas reais. Apartamentos urbanos. Estantes partilhadas. Pessoas que valorizam metros quadrados tanto quanto a tribo audiófila valoriza transientes e palco sonoro. Um produto que elimina fricção sem sacrificar qualidade audível.
O que o M1 não pretende ser:
Não é um concorrente direto de elementos hi‑fi dedicados. Não é para tweakers. Não é para quem mede distorção harmónica antes do pequeno-almoço. É lifestyle com dignidade sonora, não hi‑fi purista em versão reduzida.
A quem se dirige:
- Quem salta de earbuds ou soundbars para colunas
- Quem quer qualidade percetível sem se tornar num audiófilo militante
- Quem quer um sistema que desapareça no quotidiano
- Quem aceita perder os últimos 10–15% de performance para ganhar 100% de simplicidade
Lifestyle Primeiro
Uma caixa em vez de três
O M1 condensa streamer, DAC e amplificação num chassis compacto e discreto. Onde normalmente terias três ou quatro caixas, múltiplas alimentações e múltiplos cabos a serpentear, tens agora uma unidade única, silenciosa e termicamente eficiente.

Isto não é apenas uma vantagem estética para muitos. É estrutural. Liberta espaço, simplifica a vida e permite uma integração doméstica que equipamentos separados raramente conseguem.
Instalação sem drama
Cabo de corrente + Cabos de coluna + Rede (ou Wi‑Fi) = Música.
O tempo entre desembalar a caixa e ouvir mede‑se em minutos, não em horas de manuais e decisões existenciais sobre interligações. Para o público‑alvo do M1, isto não é um detalhe. É o produto.
Design que vive numa sala real
Minimalista, discreto, sem LEDs agressivos. O M1 não tenta ser uma peça de afirmação — tenta integrar‑se. E consegue.
Nota importante: não há ecrã frontal. Toda a interação visual é feita via a app HEOS. Para alguns, isto será perfeitamente natural. Para outros, será um dealbreaker. O M1 assume que o teu smartphone é o ecrã. Filosofia moderna, coerente — mas não universal.
WAF, Wife Acceptance Factor? Alto.
Arquitetura: Amplificador, DAC e Streaming
Amplificação
Classe D, 2×100 W/8 Ω. Vale o que vale, mas os números são respeitáveis. O mais importante é o que acontece na prática.

Esquece colunas de fabricantes “boutique”, pensadas para a minoria dentro da minoria dos que investem em áudio. Nem as Duevel Planets nem as Azoric Audio Corvo “gostaram” do M1. Por outro lado, as Maria vai com todos lá de casa, as Borea 03 já não se importaram. As Atalante 3 já olharam para o M1 de cima, e o M1 soou mais autoritário do que o formato sugere. Graves controlados, boa compostura a volumes generosos e ausência de sensação de esforço em salas pequenas e médias.
Com as outras colunas que aqui mencionei, mais exigentes, os limites apareceram: menos autoridade, palco mais estreito, dinâmica comprimida. Não colapsa — mas também não faz milagres. Nem pretende.
DAC — Conversão Digital
Mais importante do que o chip é a implementação — e aqui a Marantz fez uma escolha clara: musicalidade sobre análise clínica.
O perfil é cálido, sedoso, fluido. Não impressiona em 30 segundos com hiper‑detalhe, mas convida a ouvir durante sessões médias a longas. O silêncio de fundo está lá, especialmente em streaming, e a ausência de dureza digital é notória. Só quando entramos em campeonatos nada justos para o preço pedido pelo M1 é que ficamos com a sensação de que a cama é curta.
Plataforma & Conectividade
A app HEOS é funcional. Estável. Não inspiradora.
Funciona com Tidal, Qobuz, Spotify Connect, AirPlay 2 e é Roon Ready. A app não é a mais elegante do mercado, mas raramente atrapalha — e isso, num produto lifestyle, conta muito.
Limitações claras:
- Sem entradas analógicas
- Sem saída de auscultadores
- Dependência total da app. O meu conselho é usar Qobuz ou Tidal Connect para quem estiver disposto a uma subscrição.

Nada disto é acidente. É escolha consciente.
Assinatura Sonora do Marantz M1
O Marantz M1 soa educado, envolvente e musical.
Não é neutro‑clínico. Inclina‑se ligeiramente para o lado quente, com médios agradáveis, agudos controlados e um grave mais focado em textura do que em impacto visceral.
Comparado com amplificação dedicada de outra liga (como o meu Accuphase E‑280), há menos densidade tímbrica, menos profundidade espacial, menos autoridade absoluta. Sempre menos. Mas também sobra mais dinheiro na carteira.
E isso muda tudo.

A volume médio-médio/baixo, o M1 é particularmente competente: mantém equilíbrio tonal, não “desafina”, não perde corpo. A volumes mais elevados, com as Atalante 3, surpreendeu pela compostura.
O maior elogio? Desaparece. Não da forma como a tribo dos audiófilos costuma utilizar esta palavra. Deixa‑te ouvir música.
Timbre, Dinâmica e Fluidez
Vozes são um ponto forte inesperado. Textura suficiente, naturalidade convincente, ausência de aspereza. Femininas ou masculinas, apresentam‑se com corpo e articulação.
A dinâmica é honesta: rápida, articulada, suficiente para manter interesse rítmico em rock, jazz, electrónica e pop moderna. Em música orquestral muito exigente, os limites surgem — compressão ligeira, menos escala. Dentro do contexto, expectável.
O mais importante: a música flui. Não há rigidez digital exagerada nem sensação de processamento excessivo.
Sinergia com Colunas — Onde Brilha (e Onde Não)
O M1 gosta de colunas fáceis.
Funciona muito bem com:
Exemplos reais: Triangle Borea BR03 (excelente sinergia), Revival Atalante 3 (revelam o melhor do M1).

Expõe limites com:
Colunas pensadas para amplificação mais rigorosa e requintada.
A Pergunta Certa
Depois de alguns meses de convivência, a pergunta não é “o que faz bem?”.
É esta:
Apetece ouvir música — ou mexer no sistema?
Com o M1, a resposta é quase sempre a primeira.
Não há fadiga auditiva em sessões prolongadas dentro de um uso realista. Não há rituais. Não há vontade de otimizar constantemente. O sistema torna‑se invisível — e isso, num produto lifestyle, é o maior elogio possível.
Vale a Pena?
O Marantz M1 não é um amplificador para romantizar. É um amplificador para usar.
Não redefine categorias. Não faz milagres. Não compete com separados high‑end.
Mas cumpre com inteligência, honestidade e competência sonora real.
Para quem valoriza simplicidade sem cair em mediocridade, integração doméstica sem sacrificar música, e um sistema que desaparece no quotidiano, o M1 chega onde promete.
E chega bem.



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